Vegetais variados, base de uma alimentação que ajuda a reduzir a inflamação

Corpo inflamado: 9 sinais de inflamação crônica que você pode estar ignorando

Você dorme e acorda cansada, sente o corpo pesado, a barriga incha por qualquer coisa e os exames voltam "normais". Se isso soa familiar, vale entender um conceito que aparece muito no meu consultório: a inflamação crônica de baixo grau.


Ela não dá febre, não aparece como uma dor aguda e raramente é o primeiro diagnóstico que alguém recebe. Mas está por trás de muitos sintomas que a gente acaba normalizando no dia a dia. Neste artigo, eu explico o que é, quais são os sinais mais comuns, como ela aparece nos exames e o que a alimentação pode fazer por você.



Inflamação é sempre ruim?

Não. A inflamação aguda é uma defesa do corpo. É ela que deixa a pele vermelha e quente quando você se corta, porque o sistema imune está levando células de defesa até o local para resolver o problema. Resolvido, ela vai embora.


O problema começa quando esse alarme fica ligado o tempo todo, em volume baixo, por meses ou anos. É o que a ciência chama de inflamação crônica de baixo grau, e ela está associada a condições como doenças autoimunes, resistência à insulina, doenças cardiovasculares e distúrbios intestinais.


Uma revisão publicada na revista Nature Medicine em 2019 descreveu a inflamação crônica sistêmica como um fator comum a várias das doenças que mais afetam a população ao longo da vida. Ou seja: não é modismo, é um tema levado muito a sério pela ciência.



Por que ela passa despercebida

A inflamação crônica de baixo grau costuma ser silenciosa. Os sintomas aparecem aos poucos, parecem soltos e sem ligação entre si, e muitas vezes são atribuídos ao estresse, à idade ou à correria. A pessoa vai se acostumando a acordar cansada, a sentir a barriga estufada e a conviver com dores que vão e voltam.


Além disso, o corpo tem uma enorme capacidade de adaptação. Ele compensa por um bom tempo, até que os sinais ficam impossíveis de ignorar. Por isso, prestar atenção nos pequenos sintomas é uma forma de cuidado.



9 sinais que merecem atenção

1. Cansaço persistente, mesmo dormindo bem.

2. Inchaço abdominal frequente e sensação de corpo retendo líquido.

3. Dores articulares ou musculares sem causa aparente.

4. Intestino desregulado: preso, solto ou alternando os dois.

5. Problemas de pele, como acne persistente, eczema ou coceira.

6. Névoa mental, aquela dificuldade de concentração e de memória.

7. Infecções de repetição, como gripes e candidíase frequentes.

8. Dificuldade de emagrecer, mesmo comendo pouco.

9. Oscilação de humor, ansiedade ou irritabilidade.

Calma, ter um ou dois desses sinais não significa que você tem uma doença. Eles são inespecíficos e podem ter várias causas, por isso a investigação com o médico é sempre o primeiro passo. O que chama atenção é quando vários aparecem juntos e se arrastam por muito tempo.



Como a inflamação aparece nos exames

Alguns marcadores ajudam o médico a enxergar o quadro, como a PCR ultrassensível, o VHS e a ferritina, além de glicemia, insulina e perfil lipídico. Nenhum deles sozinho fecha nada, e é comum a pessoa ter sintomas com exames dentro da faixa de referência, o que não quer dizer que "é coisa da sua cabeça".


Por isso, na consulta, eu olho para os exames junto com a sua história: como você dorme, como está o seu intestino, como você se alimenta, como está o seu nível de estresse e o que mudou nos últimos anos. É esse conjunto que ajuda a entender o que está alimentando a inflamação.



O que alimenta a inflamação no dia a dia

• Alimentação rica em ultraprocessados, açúcar e óleos refinados, e pobre em fibras e vegetais.

• Intestino em desequilíbrio (disbiose), que pode aumentar a passagem de substâncias inflamatórias para o sangue.

• Sono ruim e estresse crônico, que mexem com o cortisol.

• Sedentarismo e excesso de gordura abdominal.

• Álcool em excesso e tabagismo.

Repare que quase nenhum desses fatores age sozinho. Normalmente é a soma deles, repetida todos os dias, que mantém o alarme ligado.


Nutricionista Laura Chioquetta


Inflamação, peso e hormônios

A gordura abdominal não é só um estoque de energia. Ela funciona como um tecido ativo, que produz substâncias inflamatórias. Por isso, o excesso de gordura na região da barriga está associado a mais inflamação, e a inflamação, por sua vez, dificulta a regulação do apetite e da glicose. É um ciclo que se retroalimenta.


Os hormônios também entram nessa conversa. Alterações na tireoide, no ciclo menstrual e na menopausa podem mudar a forma como o corpo lida com a inflamação, o que explica por que muitas mulheres percebem piora dos sintomas em determinadas fases da vida. Olhar para esse contexto faz parte de uma estratégia bem feita.



O papel do intestino

Boa parte do sistema imune está no intestino. Quando a microbiota está desequilibrada e a barreira intestinal fica mais fragilizada, fragmentos de bactérias e outras substâncias passam com mais facilidade para a circulação e estimulam o sistema imune de forma contínua.


É por isso que tantas pessoas com inflamação crônica também têm sintomas intestinais, como inchaço, gases e alteração no hábito intestinal. Cuidar do intestino, com fibras variadas, alimentos de verdade e menos ultraprocessados, costuma ser um dos primeiros passos para baixar esse volume.



Sono, estresse e movimento

A alimentação é central, mas não trabalha sozinha. Noites mal dormidas aumentam marcadores inflamatórios, e o estresse crônico mantém o cortisol desregulado, o que interfere no apetite, no intestino e no sistema imune.


O movimento, por outro lado, tem efeito anti-inflamatório. Não precisa ser treino intenso: caminhar todos os dias, subir escadas e evitar passar horas sentada já fazem diferença. Pequenos hábitos repetidos valem mais do que grandes mudanças que não se sustentam.



O que a alimentação pode fazer por você

A comida não substitui tratamento médico, mas é uma das ferramentas mais potentes que você tem para baixar esse volume. Aumentar a variedade de vegetais, incluir boas fontes de ômega 3, reduzir ultraprocessados e cuidar do intestino costuma trazer melhora perceptível em cansaço, inchaço e disposição.


O ponto mais importante: não existe um alimento vilão que explica tudo, existe um padrão. E esse padrão precisa ser olhado de forma individual, porque o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra.



Um jeito simples de começar

• Troque um ultraprocessado por dia por uma opção de comida de verdade, como uma fruta, um iogurte natural ou um punhado de castanhas.

• Inclua pelo menos duas cores diferentes de vegetais no almoço e no jantar.

• Coma peixe duas vezes por semana, como sardinha, tambaqui ou salmão.

• Beba água ao longo do dia e observe como o seu intestino responde.

• Durma e acorde em horários parecidos, inclusive no fim de semana.


Inflamação e doenças autoimunes

Nas doenças autoimunes, como Hashimoto, psoríase, artrite reumatoide e doença celíaca, o sistema imune passa a reagir contra o próprio corpo. A inflamação faz parte do quadro, e fatores que aumentam a carga inflamatória podem piorar sintomas como cansaço, dores e alterações intestinais.


Isso não quer dizer que a alimentação cause ou cure uma doença autoimune. Mas ela é uma aliada importante no controle dos sintomas e da qualidade de vida, principalmente quando é pensada de forma individual, junto com o tratamento médico.



Mitos que atrapalham

• "Preciso cortar glúten, leite e açúcar de uma vez para desinflamar." Cortes radicais costumam durar pouco e podem empobrecer a alimentação. Mudanças graduais e bem direcionadas funcionam melhor.

• "Um chá ou suplemento resolve." Nenhum produto isolado compensa um padrão alimentar inflamatório, noites mal dormidas e estresse constante.

• "Se os exames estão normais, não tem nada errado." Exames são uma parte importante da avaliação, mas os sintomas e a história de vida também contam.

• "Inflamação é coisa de quem está acima do peso." Pessoas magras também podem ter inflamação crônica, especialmente com intestino desregulado, estresse e sono ruim.


Quando procurar ajuda

Se você se reconheceu em vários desses sinais, procure o seu médico para investigar a causa e, em paralelo, um acompanhamento nutricional para ajustar a alimentação à sua realidade. Eu atendo online e presencialmente em Boa Vista/RR.



Perguntas frequentes

Inflamação crônica tem cura?

Ela pode ser reduzida e controlada. Na maior parte dos casos, a melhora vem da combinação entre tratar a causa de base com o médico e ajustar alimentação, sono, estresse e movimento.


Qual exame mostra inflamação no corpo?

A PCR ultrassensível é um dos marcadores mais usados, junto com VHS, ferritina, glicemia, insulina e perfil lipídico. Nenhum deles sozinho define o quadro, e a avaliação deve ser feita pelo médico.


Existe alimento que desinflama?

Não existe um alimento milagroso. O que desinflama é o padrão alimentar como um todo, rico em vegetais, frutas, fibras, gorduras boas e ômega 3, com pouco ultraprocessado.


Quanto tempo leva para sentir diferença?

Muitas pessoas percebem melhora no inchaço e na disposição nas primeiras semanas. Mudanças em sintomas crônicos e em exames costumam levar alguns meses de constância.



Referências

1. Furman D, Campisi J, Verdin E, et al. Chronic inflammation in the etiology of disease across the life span. Nature Medicine. 2019;25(12):1822-1832.

2. Calder PC, Bosco N, Bourdet-Sicard R, et al. Health relevance of the modification of low grade inflammation in ageing (inflammageing) and the role of nutrition. Ageing Research Reviews. 2017;40:95-119.

Agende sua consulta

Agende sua consulta!

Clique e dê o primeiro passo para cuidar do seu intestino. Atendimento presencial em Boa Vista/RR e online para todo o Brasil.


Você também pode ler

brown onion on white paper
Preciso cortar glúten e lactose? Quando faz sentido e quando é só modismo
bowl of vegetable salads
Intestino permeável existe? O que a ciência já sabe e o que ainda é exagero
a woman sitting at a desk with a bowl of fruit
Tipos de fezes: o que o formato do seu cocô diz sobre o seu intestino
Laura Chioquetta

Você não precisa continuar convivendo com sintomas sem respostas

Seu corpo dá sinais todos os dias, quando eles são compreendidos, é possível construir um caminho mais leve, com mais qualidade de vida e segurança.

Contato

@nutri.laurachioquetta

Agende sua consulta!

Clique e dê o primeiro passo para cuidar do seu intestino. Atendimento presencial em Boa Vista/RR e online para todo o Brasil.