
Se você tem SIBO e também passa mal depois de comer queijo curado, tomar vinho, comer fermentados ou aquela sobra de comida que ficou dois dias na geladeira, talvez isso não seja coincidência. Existe uma explicação que liga as duas coisas, e entender essa ligação pode mudar a forma como você cuida do seu intestino.
SIBO é a sigla em inglês para supercrescimento bacteriano no intestino delgado. O intestino delgado normalmente tem poucas bactérias, e no SIBO elas crescem além do esperado, fermentando os alimentos antes da hora. Isso costuma gerar inchaço, gases, dor abdominal e alterações no intestino, tanto preso quanto solto.
Isso costuma acontecer quando os mecanismos que controlam as bactérias no intestino delgado ficam falhos: o movimento intestinal mais lento, a baixa acidez do estômago, cirurgias abdominais, o uso prolongado de alguns medicamentos e condições como a síndrome do intestino irritável. Os sintomas mais comuns são inchaço logo depois de comer, gases, dor abdominal e alterações no hábito intestinal, e o diagnóstico costuma ser feito com o teste do hidrogênio expirado, sempre com indicação médica.
A histamina é uma substância que o próprio corpo produz e que também está presente em vários alimentos. Normalmente, o intestino dá conta de degradar a histamina que vem da comida, principalmente através de uma enzima chamada DAO (diaminoxidase).
Na intolerância à histamina, a quantidade que chega é maior do que o corpo consegue degradar. Como existem receptores de histamina no corpo todo, os sintomas não ficam só no intestino: podem aparecer dor de cabeça, vermelhidão e coceira na pele, nariz entupido, palpitação, além de inchaço, dor abdominal e diarreia.
A principal enzima que degrada a histamina que vem da alimentação é a DAO, ou diamina oxidase, que fica no intestino. Como existem receptores de histamina em várias partes do corpo, os sintomas não ficam só na barriga: podem aparecer dor de cabeça, vermelhidão, coceira, nariz entupido, palpitação e diarreia. Não existe um único exame que feche o diagnóstico, então ele é feito juntando os sintomas, a resposta à alimentação e a exclusão de outras causas, como alergias.
A ligação entre as duas condições acontece por dois caminhos.
Algumas bactérias conseguem transformar a histidina, um aminoácido presente nos alimentos, em histamina. Quando essas bactérias crescem em excesso no intestino delgado, a produção de histamina dentro do próprio intestino pode aumentar.
A DAO é produzida pelas células que revestem o intestino. Quando esse revestimento está inflamado ou lesionado, a produção de DAO pode cair, e o corpo perde capacidade de degradar a histamina.
Juntando os dois caminhos, a conta não fecha: entra mais histamina e sai menos. E é aí que alimentos que antes você tolerava começam a causar sintomas.
Mas vale um cuidado importante: essa relação faz sentido pelo mecanismo, e estudos já mostram que pessoas com intolerância à histamina têm alterações na microbiota intestinal. Ainda assim, as pesquisas específicas sobre SIBO e histamina são poucas, e a intolerância à histamina não tem um exame único que feche o diagnóstico. Por isso, cada caso precisa ser avaliado com cuidado.

Reduzir os alimentos ricos em histamina pode trazer alívio, e muitas vezes faz parte da estratégia. Mas se existe uma causa por trás, como o SIBO, só restringir tende a controlar os sintomas sem resolver o que está gerando o problema. O resultado costuma ser uma lista de alimentos proibidos que só cresce, e sintomas que voltam sempre que a dieta afrouxa.
Calma, isso não quer dizer que você vá precisar cortar esses alimentos para sempre. Quando a causa é investigada e tratada, a tolerância pode melhorar, e o objetivo passa a ser voltar a comer com mais liberdade.
Entre os mais comuns estão queijos curados, embutidos, peixes enlatados ou mal conservados, vinho e cerveja, alimentos fermentados como kombucha e chucrute, e sobras de comida guardadas por muito tempo, principalmente carnes e peixes, porque a histamina se forma durante o armazenamento. Alguns alimentos, como álcool, também podem atrapalhar a ação da DAO.
Além deles, alguns alimentos têm pouca histamina, mas estimulam a liberação da histamina que o próprio corpo produz, como morango, frutas cítricas, tomate, chocolate e alguns aditivos. O álcool merece atenção dupla, porque além de conter histamina ele reduz a atividade da DAO. Alguns medicamentos também interferem nessa enzima, então qualquer ajuste deve ser conversado com o médico.
A quantidade de histamina de um alimento aumenta com o tempo e com o armazenamento. Por isso, alguns cuidados simples já fazem diferença:
Prefira alimentos frescos, principalmente carnes e peixes, e consuma no mesmo dia da compra ou congele logo.
Congele as sobras em vez de deixar vários dias na geladeira.
Dê preferência a preparações feitas na hora, em vez de reaquecer várias vezes a mesma comida.
Observe a sua tolerância aos fermentados, como kombucha, chucrute e iogurtes, em vez de cortar todos por conta própria.
O tratamento do SIBO é conduzido pelo médico e geralmente envolve antibióticos específicos para o intestino. A alimentação entra junto, ajudando a controlar os sintomas durante o tratamento e a reduzir as chances de o problema voltar, o que acontece com frequência quando a causa de base não é corrigida.
Por isso, o foco não é só eliminar as bactérias em excesso, mas entender por que elas cresceram: o intestino está lento? Existe algum medicamento ou condição por trás? Como está o intervalo entre as refeições? Cuidar dessas perguntas é o que ajuda o resultado a durar.
Se os sintomas pioram depois de alimentos fermentados, curados ou requentados, e isso vem junto com barriga distendida, alterações no intestino e dor abdominal, vale conversar com o seu médico sobre investigar SIBO antes de assumir que é "só" intolerância à histamina. O diagnóstico de SIBO é feito pelo médico, geralmente com o teste respiratório.
Na consulta, eu avalio seus sintomas, sua rotina alimentar e o que você já investigou, e monto uma estratégia que alivie os sintomas sem restringir mais do que o necessário, em conjunto com o tratamento médico. Eu atendo online e presencialmente em Boa Vista. Agende sua consulta aqui.
Pode contribuir, por aumentar a produção de histamina no intestino e reduzir a atividade da DAO. Mas a intolerância à histamina também pode ter outras causas, por isso é importante investigar.
Dor de cabeça, vermelhidão e coceira na pele, nariz entupido, palpitação, inchaço, dor abdominal e diarreia, geralmente depois de consumir alimentos ricos em histamina.
Sim. Durante o armazenamento, principalmente de carnes e peixes, bactérias produzem histamina no alimento, mesmo na geladeira.
Não necessariamente. A restrição pode ajudar numa fase, mas quando a causa é tratada, a tolerância costuma ser reavaliada e os alimentos podem voltar.
Existe a dosagem da DAO no sangue, mas ela sozinha não confirma nem descarta o diagnóstico. Na prática, o que mais ajuda é observar os sintomas com uma dieta pobre em histamina por um período curto, com acompanhamento, e depois reintroduzir os alimentos.
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